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A ILUSÃO DO COELHO BRANCO

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  A ILUSÃO DO COELHO BRANCO Não sei se já aconteceu com vocês, mas sabe quando se amadurece intimamente um processo de cura transformador, e de repente você sente vergonha de não ter encontrado aquela resposta em outro momento? Porque ela sempre esteve ali, ao alcance dos seus olhos, clara como o dia.   A nossa mente é mesmo um campo superestimado de potência. É maravilhoso se dar conta das muitas perspectivas que podemos desempenhar em nós, quando nos permitimos.   Não digo que seja fácil, mas de toda forma o caminho é simples. O caminho do amor-próprio por exemplo, parece simples, mas por mais que nos deparemos com conceitos e fórmulas diárias desse encontro, ainda é um encontro pessoal, que só acontecerá a partir de nossas próprias autoavaliações. Indispensável ao querer, se colocar em primeiro não é lá tarefa fácil quando se está “acostumado” a se deixar para depois. Há anos tenho ansiado por esse reencontro, a passos lentos e pouco despretensioso, pois acredito...

O GOLPE DO AMOR

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O Grande Golpe             Demorei um tempo para conseguir escrever a respeito do que preciso dizer, talvez porque existem coisas dentro de nós que solicitam a atenção do amadurecimento interior, tanto quando o reconhecimento das nossas fragilidades. Se reconhecer nesse campo de impotência, mistura agora o despir de emoções egoístas, que me aprisionaram a carapuça dessa fortaleza que eu insisto em querer parecer, especialmente no campo relacional.           Conheci esse rapaz num aplicativo de relacionamentos, desses que possuem um cardápio de oportunidades designadas ao prazer momentâneo, mas que sob a ótica da fantasia romântica e de um mundo repleto de carências emocionais profunda, pode representar o encontro certeiro de amor verdadeiro. Coisa que agora realmente não acredito existir.           Ao primeiro momento, o encanto daquilo que você des...

NUNCA MAIS PAIXÃO

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N NUNCA MAIS PAIXÃO Rezo todas as noites para nunca mais me apaixonar! Pode parecer discurso de alguém revoltado, desiludido, amargurado, sem esperança; e pode até ser verdade tudo isso, mas é que não pretendo mais perder essa sanidade consciente que só depois de muito “apanhar da vida” encontrei. Não quero perder essa racionalidade de poder olhar as coisas e enxergar exatamente como elas são. Não quero mais me machucar. Esses dias encontrei um vídeo antigo onde o cantor Ney Mato Grosso, afirma categoricamente não querer nunca mais se apaixonar. Ele diz em suas palavras que se apaixonou ao longo da vida apenas três vezes, e que foram grandes paixões, avassaladoras. Diz também que não gosta desse sentimento de perda da razão, que paixão o deixa desorientado, volúvel, inseguro. Que paixão revela a sua pior face, e esse descontrole faz aflorar todos os defeitos que conscientemente evitamos mostrar. Sei que a paixão sendo fogo que consome rápido, pode me aguardar num descuido e aga...

Fases

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FASES   Sempre gostei de boa leitura, me encanta a forma como as palavras podem ser tão bem designadas a sentimentos, que naturalmente não consigo exercer. Parece paradoxal, mas as vezes não sou tão empática comigo mesma, é sempre mais complexo executar amor em primeira pessoa.   A escrita sempre foi um refúgio interessante, para minha aparente frieza, comecei a escrever bem cedo, morrendo de vergonha de ser descoberta, pois é lá que me revelo e me reconheço inteira, na mais pura essência de quem sou. Não propositalmente meu poema preferido é “Lua Adversa, de Cecilia Meireles”. Quando o li pela primeira vez, fui envolvida por um mistério, que a primeira lida não soube dizer muito bem, quais eram mesmo as razões que me prendiam a ele, mas desde então me identifico. No começo, o meu entendimento era raso, não compreendia as tais fases da lua, me parecia mais poesia do que identificação, o que mudou com o tempo, e passei a gostar ainda mais dele. Agora, me parece que Cecília...

Me acostumei

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  Me acostumei   Me acostumei A ocupar meus espaços, A ter a cama só para mim, A me sentir confortável com tanto espaço, A sonhar com verdades, A viver inteirezas. Acordar dispostas, sem precisar de bom dia.   Me acostumei A quase nunca cozinhar, A não fazer por obrigação A dedicar essa arte para os encontros casuais da amizade, Ou ao prazer de degustar sabores e amores familiares   Me acostumei A não olhar as horas Não ser refém dos horários programados por terceiros A sair e chegar quando me der na telha. Sem explicações comprometedoras Sem precisar me justificar aos atrasos Pontualidade nunca foi minha praia mesmo!   Me acostumei Fazer o que eu gosto. No meu tempo, do meu jeito, Sem que ninguém me critique. Não preciso de nenhum aval A minha própria aprovação me basta. Até acolho opiniões, mas não de qualquer pessoa!   Me acostumei A ver os meus programas favoritos, A ouvir meus discos a...

TÔ PUTA

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  TÔ PUTA   Pois é, hoje eu tô puta, e não é do jeito que eu gostaria de estar. Tô puta no sentido mais rebelde da expressão. Pois é, não é todo dia que eu acordo com o ânimo de fazer revolução através de lógicas positivas, também tenho meus dias de luta, sem muita glória sabe? Como é cansativo lutar mentalmente por essa resignação de bondade, o mantra da boa energia, ressoando os famigerados exercícios de GRATIDÃO. Porra...hoje não! Hoje eu quero gritar, rasgar a voz contra essa condição educada de parecer sempre perfeição. Não, hoje não! Vou chutar o balde, colocar o pé na mesa e mostrar quem é que manda. Tô puta, com esse governo, com essa pandemia, com tantas doenças, com as perdas, com a condição econômica, com as dívidas, com as renúncias que estou sendo obrigada a fazer para sobreviver. Com a reclusão que me foi imposta, também por essa condição. E não tem nada de heroico nisso. Estou muito chateada com a falta de respeito das pessoas, dos responsáveis por esse país, e ...

A MORTE

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A MORTE   Esses dias li uma frase que dizia assim: “A vida nada mais é do que a história de como você morreu”. Fiquei reflexiva a respeito da morte, de um novo ponto de vista, porque é a mais pura verdade o que está dito ai. Talvez a morte seja a maior das certezas e também o maior dos nossos medos. Que paradoxo! Ter algo tão certo, como maior temor, leva-me a perceber o quanto a incerteza nos impulsiona nessa caminhada de vida. O homem quer ter certeza daquilo que não pode prever, e repudia veementemente aquilo que tem por certo. E nessa história sobre como você morre, o que nos leva a fazer o melhor dessa vida? Analisar essa linha tênue e tão ligeira de vida que tantas vezes nos pega de surpresa, porque não dizer sempre; naquilo que não estava em nossos planos tão cedo, faz pensarmos nas possibilidades de se escrever a vida. A morte é tão somente ter seus sonhos e planos rompidos, num instante onde a vida era prioridade. Um ponto final nos desejos, uma página não escrita, um depo...