A MORTE
A MORTE
Esses dias li uma frase
que dizia assim: “A vida nada mais é do que a história de como você morreu”.
Fiquei reflexiva a
respeito da morte, de um novo ponto de vista, porque é a mais pura verdade o
que está dito ai.
Talvez a morte seja a
maior das certezas e também o maior dos nossos medos. Que paradoxo! Ter algo
tão certo, como maior temor, leva-me a perceber o quanto a incerteza nos
impulsiona nessa caminhada de vida. O homem quer ter certeza daquilo que não
pode prever, e repudia veementemente aquilo que tem por certo. E nessa história
sobre como você morre, o que nos leva a fazer o melhor dessa vida?
Analisar essa linha
tênue e tão ligeira de vida que tantas vezes nos pega de surpresa, porque não
dizer sempre; naquilo que não estava em nossos planos tão cedo, faz pensarmos
nas possibilidades de se escrever a vida. A morte é tão somente ter seus sonhos
e planos rompidos, num instante onde a vida era prioridade. Um ponto final nos
desejos, uma página não escrita, um depois que nunca acontecerá. Abandonar
alguém, e ter com ele agora uma relação somente de lembranças, baseada na
saudade, que nos agride com tanta dor, e muitos questionamentos. Nunca achamos
ser suficientes.
Ouso dizer, que ninguém
está preparado nem para ir, nem para deixar. O laço dos afetos que se constrói
nessa dura história, plantada diariamente, regada de lutas e incertezas, mas na
confiança, seja de amor ou dependência, é tão forte, que não se rompe no
instante programado pelo destino. Dói! Dói muito!
Leva-se um tempo enorme,
para fechar essa lacuna; que nunca mais será refeita da mesma maneira, aqueles
a quem amamos ficarão marcados profundamente em nós, e não dá para corrigir
essa falha.
Deixar seguir com o
tempo, buscando explicações para aquela ausência repentina, que abriu agora
esse espaço gigante para outra companhia, a solidão.
É um deserto, pessoal.
Guiado por forças que não se sabe de onde vem, e nem tão pouco até onde vai. O
corpo, a alma, reclamam. Choram incansavelmente as perdas, e nos deparamos com
o único “para sempre” possível.
A morte jamais terá uma
explicação plausíveis, necessária para nos convencer. Até mesmo aqueles que
amargam anos por doenças, anseia por um pouco mais de vida; ainda não se
entregaram ao acaso da certeza da morte. Ela é um espaço cruel transforma tudo,
em nada. Estranha e fria, e ao mesmo tempo libertadora.
Morrer é deixar-se ali,
naquele dia, naquela hora, naquele instante, naquela situação, toda sua vida
desenhada, escrita, incompleta e ao mesmo tempo finita.
Um plano inacabado, que
anseia por novos capítulos, que nunca mais serão escritos.
Acabou! Não há mais o
que fazer.
Nossas roupas, objetos,
manias, orgulhos, tudo que mantínhamos por valores perde a importância. O corpo
agora é só carne em decomposição. Tudo aquilo que foi um dia, já não há mais de
ser. Porque terminou, sem querer, sem saber, sem dizer adeus, sem se dar conta
que já era a hora. A história de como você morreu concluiu seu percurso, chegou
ao fim.
Há aqueles que afirmam
não a temer, eu, porém prefiro evitá-la, mesmo sabendo que não tenho tal poder.
Tenho dificuldade de
encarrar rompimentos afetivos definitivos, especialmente os não reconciliáveis.
Tenho dificuldade em me desfazer, dizer adeus; em aceitar que é necessário
conviver com a ausência; em acalmar o coração quando ele arde de saudade. Porque
o amor não morre. E amor junto com a saudade ocupa um lugar enorme.
Izângela Feitosa
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